Metodologia do Índice Territorial
de Risco para Demência (IRD)
Protótipo acadêmico desenvolvido no Mestrado Profissional em Inovação Tecnológica (PPG-PIT/Unifesp). O IRD é um indicador territorial relativo que combina cinco dimensões associadas, na literatura, a maior risco de demência em populações urbanas idosas. Não constitui diagnóstico clínico.
1. Revisão Sistemática Preliminar
O ponto de partida é uma revisão sistemática preliminar da literatura sobre fatores associados à demência em populações urbanas idosas, com recorte 2009–2024: 1.172 registros identificados e 32 estudos incluídos. Quantitativos intermediários seguem em consolidação.
Ver a página de Evidências2. Tradução das evidências em famílias de fatores
Os fatores descritos na literatura são organizados em cinco famílias conceituais e submetidos a um teste de territorialização: existe dado público, em escala distrital, que represente esse constructo? Fatores relevantes sem base pública distrital ficam registrados como não operacionalizados — relevância científica não implica operacionalização territorial.
Estrutura etária e crescimento da população idosa (60+ e 80+).
IPVS — privação material e condições socioeconômicas.
Densidade, área verde de uso cotidiano e cobertura vegetal.
UBS, ambulatórios especializados e leitos por idoso.
Escolaridade, bibliotecas, centros culturais, esporte/lazer.
3. Matriz de indicadores
A seleção de cada indicador considera: aderência à evidência revisada · existência de base pública · cobertura completa dos 18 distritos · escala distrital · atualidade da fonte · reprodutibilidade do cálculo · direção interpretável (risco ou proteção) · ausência de dupla contagem · estabilidade da série.
Carregando indicadores núcleo…
- Demografia (DEM) — TabNet/SMS-SP · Censo IBGE 2000 e 2022.
- Vulnerabilidade (VULN) — IPVS 2022 / SEADE.
- Ambiente (AMB) — GeoSampa · PMD · PMMA · praças/largos · parques · cobertura vegetal.
- Serviços de saúde (SERV) — CEInfo/SMS-SP — UBS 2023, AMA 2024, Hospitais e Leitos 2024.
- Educação/cultura/esporte (SOC) — Pesquisa OD 2023/Metrô-SP · bibliotecas 2024 · centros culturais 2024 · equipamentos de esporte/lazer 2024.
- Setores censitários 2022 — IBGE / GeoSampa.
- Densidade demográfica 2022 — Censo 2022 / GeoSampa.
- IPVS 2022 — Fundação Seade / GeoSampa.
Estas camadas servem apenas à exploração visual da heterogeneidade intradistrital e não substituem a base distrital usada no cálculo oficial do IRD.
CETESB, MapBiomas, Sentinel/PM2.5/NO₂ e CIH-SUS são tratadas como camadas futuras e não compõem o cálculo atual do IRD.
4. Construção do IRD
- Cada indicador recebe direção explícita: risco ou proteção.
- Normalização min–max para o intervalo [0, 1] entre os 18 distritos.
- Indicadores protetivos são invertidos, de modo que maior score sempre indique maior risco territorial relativo.
- Os indicadores normalizados compõem o score da dimensão; as cinco dimensões compõem o IRD.
- Pesos iguais de 0,20 por dimensão: escolha de transparência e não de hierarquia — evita atribuir importância diferencial sem evidência suficiente para calibrá-la.
A escala oficial é 0–1, com quatro classes: Baixo · Médio-baixo · Médio-alto · Alto.
5. Validação interna preliminar
Os testes realizados são internos e preliminares: verificam consistência e comportamento do índice. Não há, nesta etapa, validação clínica nem validação externa contra desfechos observados.
- Teste de dominância por dimensão aplicado aos 18 distritos.
- Análise de sensibilidade dos pesos: ordenamento dos distritos de classe Alto preservado em ±10%.
- AMB01 (densidade) com baixa influência relativa no índice.
- AMB02 (área verde) e SERV01 (UBS) com influência moderada.
- Equipamentos de SOC com maior sensibilidade — refinamento de fontes em curso.
- EDU01 mantido como estrutural forte na dimensão SOC.
- CULT01, CULT02 e ESP01 mantidos com cautela na composição.
- CEU01, CIN01 e BIBUSO01 tratados como camadas complementares.
- Checagem de dupla contagem entre indicadores correlacionados da mesma dimensão.
- O cálculo oficial do IRD permanece na escala distrital. O Sociorama incorpora camadas setoriais de 2022 para explorar heterogeneidades intradistritais de densidade demográfica e vulnerabilidade social, sem recalcular o índice em escala censitária. A construção de um IRD propriamente setorial permanece como evolução metodológica futura.
6. Aplicação territorial nos 18 distritos
O índice é aplicado aos 18 distritos da Zona Norte de São Paulo (7 subprefeituras), gerando ranking, classe, dimensão dominante e tipologia territorial por distrito. A leitura é sempre relativa ao conjunto: distritos com IRD semelhante podem ter mecanismos territoriais distintos, o que torna a comparação dimensional mais informativa do que a posição isolada no ranking.
7. Produto tecnológico Sociorama
O Sociorama é o produto tecnológico do mestrado: uma plataforma pública que traduz o índice em mapa, comparador e leitura territorial auditável, com fontes e limites explicitados. Inclui um simulador prospectivo experimental, que aplica um operador linear sobre cada dimensão S' = clamp(S · (1 + δ), 0, 1).
O simulador é ilustrativo e não compõe o resultado oficial do IRD nesta etapa de qualificação.
Instrumento tecnológico novo de leitura territorial.
Plataforma pública, aberta e navegável.
Uso por gestão, pesquisa e controle social.
Atualização das fontes e das versões do índice.
Replicação para outras regiões e recortes.
Decisão pública mais informada sobre envelhecimento.
Estrutura conceitual de discussão sobre o percurso do produto tecnológico — não é resultado medido nem promessa de efeito.
Resultados do projeto
Corpus preliminar de 32 estudos organizados em cinco famílias conceituais de fatores territoriais.
Matriz de indicadores e procedimento reprodutível de construção do IRD em escala 0–1.
Leitura comparada dos 18 distritos da Zona Norte, com classes, dominâncias e tipologias.
Sociorama: plataforma pública de apoio à decisão, auditável e replicável.
- Traduz evidência científica em leitura territorial comparável.
- Descreve risco relativo entre os 18 distritos da Zona Norte.
- Explicita quais dimensões pesam mais em cada território.
- Apoia priorização intersetorial e discussão de política pública.
- Torna fontes, indicadores e limites auditáveis.
- Não diagnostica demência em indivíduos.
- Não estima prevalência clínica.
- Não estabelece causalidade.
- Não substitui avaliação profissional ou serviço de saúde.
- Não classifica pessoas — classifica territórios.
